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Edição #86

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ETERNO ESTILO

Não há expressão melhor para definir estilo que a escrita pelo poeta francês Jean Cocteau “O estilo é uma forma simples de dizer coisas complicadas.”


Estilo é significado, modo de exprimir-se, falando, escrevendo. Inclui também a moda, o design, formato, aparência, e é claro, o vestuário. Quando se fala que uma pessoa tem estilo próprio, se intui uma biografia, um personagem com gostos musicais, com particularidade na fala, que admira coisas, e mora em algum lugar… São peculiaridades que fazem um objeto ou pessoa ter estilo, assim como o fator regional também tem muito peso. Uma parisiense se veste diferente de uma inglesa, um hippie argentino não se parece em nada com um hippie no Marrocos, uma luminária desenvolvida por um eslovaco não será parecida com a de um turco. Para ter estilo é importante usar referências porque elas são poderosas ferramentas de construção de vestuário. A moda assim como a arte, a música, viagens, literatura e o cinema são eternas fontes de inspiração presenteadas pelo mundo. Os movimentos de arte sempre tiveram estilos marcados e, desde sempre, inspiraram designers de moda. Na década de 30, o urrealismo e seus elementos incongruentes fizeram com que Elsa Schiaparelli criasse o famoso vestido lagosta inspirado no “telefone lagosta” de Salvador Dali. Ives Saint Laurant, Na década de 30, o urrealismo e seus elementos incongruentes fizeram com que Elsa Schiaparelli criasse o famoso vestido lagosta inspirado no “telefone lagosta” de Salvador Dali. Ives Saint Laurant,nos anos 60, fez uma coleção inspirada em Mondrian e Marc Jacobs em Murakami. Ano passado, a Prada apresentou uma coleção ilustrada por James Jean que segundo a própria marca representava “uma mescla perversa entre os quadros de Hieronymus Bosch e as ilustrações de Aubrey Beardsley”. Andando pelo mundo é possível observar a diferença de estilo de um lugar para o outro. Os europeus, por exemplo, têm isso muito bem marcado. Em meio a multidão, excluindo o aspecto físico do julgamento, é muito fácil distinguir uma alemã de uma espanhola pelo vestuário. As alemãs, assim como as inglesas são super fãs de saias cintura alta. E a chance de uma espanhola catalã estar vestindo uma calça larga com pinta oriental é de quase 100%. As francesas estarão perambulando com suas carteiras Hermés que não compraram porque lhes davam status, e sim, porque eram de suas avós. Uma italiana estará com a carteira Hermés e todo um look caro porque sim, lhe dá status. Mesmo que o próprio Christian Dior tenha afirmado que “não é o dinheiroque faz com que se esteja bem vestido e sim a compreensão”, a maioria parece não entender isso.A moda é cara! O estilo não! Porém entender de estilo é mais difícil que somente comprar. De vez em quando algum ícone cheio de dinheiro faz as pessoas lembrarem que algo maravilhoso pode ser bonito e barato. Kate Moss causou uma balburdia quando foi fotografada com uma carteira da Superdrug que custava 2.99 pounds, e em poucas horas as vendas da mesma foi multiplicada por dez. Uma vítima da moda se detecta pela falta de iluminação, ou excesso, se no caso está em alta o paetê. Geralmente numa vítima se notam as marcas caras que ela comprou de forma muito evidentes e, ainda não contaram para ela, que mais de três peças que saíram como última moda usadas juntas é fiasco. Fiasco completo para o estilo. O vírus da vítima da moda no Brasil tem relação com o excesso de cultura americana consumida e também pela mídia televisiva nacional: o que for ditado pelas Gossips Girls ou pelas novelas vira febre em alto grau. Porém tudo isso pode ser somente uma questão de ponto de vista, como declarou o escritor colombiano Gabriel Garcia Marques em entrevista para Revista Esquire espanhola, “os Estados Unidos investe na America Latina grandes quantidades de dinheiro, mas segue sem saber o que estamos fazendo com ele. Estamos mudando seu idioma, sua música, sua comida, seu amor, e inclusive sua forma de pensar. Estamos influindo nele, como ele gostaria de influir em nós.” A visão de Gabriel é bastante visionária e seria brilhante dar uma cara brasileira ao estilo americano, mas que também houvesse um interesse em criar uma coisa menos massificada e mais exclusiva. Segundo Nina Garcia em seu livro “O livro da moda”, “estilo é uma questão de descobrir quem é e quem quer ser no mundo.” E ela também recomenda que façamos boas eleições na vida . “Espero que escolha ser fabulosa, audaz, divertida, inspirada e você mesma.” “A moda se desfaz, o estilo é eterno!” – Coco Chanel.



 

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