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A Argentina off-road
São 6h30 em Bariloche. A temperatura é
baixa, o sol ainda não deu as caras e poucos se
atrevem a sair na rua. Mas em uma das esquinas
da rua Moreno, um grupo chama a atenção: mochilas
grandes jogadas na calçada, idiomas de todas
as partes se cruzam no ar e passageiros esperam,
ansiosos, o embarque em um ônibus branco.
Mais do que turistas, esses são os viajantes
que embarcam em uma aventura com duração de
pelo menos três dias e com mais de 1.500 km de
extensão: a Ruta 40. Essa lendária estrada argentina,
que une o país de norte a sul, deixou de ser
apenas uma via de acesso para transformar-se,
entre Bariloche e El Calafate, em um atrativo da
Patagônia andina com personalidade própria.
Às sete em ponto, o ônibus começa a deixar
a capital nacional do esqui rumo à estrada. No
primeiro dia, são 843 km de viagem cruzando pequenas
e isoladas cidades que emprestam suas
ruas de terra para que a Ruta 40 possa seguir seu
caminho. Do total desse trecho, 113 km são sobre
cascalhos.
O ônibus não conta com guias nem serviços de
bordo. E quem precisa dessas facilidades turísticas
quando lá fora a estrada segue paralela às
imensas Cordilheiras dos Andes? Mas como ninguém
é de ferro, paradas estratégicas são feitas ao
longo das primeiras 12 horas de viagem, seja para
o almoço ou para tirar fotos do bando de guanacos
(parentes próximos das lhamas andinas) que cruza
o caminho. É impossível entediar-se.
Construída a partir de 1935, a Ruta 40 é um
‘produto’ criado pela Secretaria de Turismo para
promover o trecho oeste do país e já teve seu trajeto
modificado diversas vezes para incluir pontos
turísticos de interesse internacional, como El Calafate
e seu impressionante glacial, e San Carlos
de Bariloche. Hoje, é a maior estrada da Argentina, com mais de 5.000 km de extensão, e une Río
Gallegos, no sul do país, a La Quiaca, na fronteira
com a Bolívia.
São tantos os atrativos naturais ao longo da
rota sul que os passageiros nem se dão conta de
que o primeiro dia de viagem já está concluído. À
noite, os ‘aventureiros’ renovam a energia dormindo
na cidade Perito Moreno.
O dia seguinte começa tarde, às 10h30. Mas
quem escolhe colocar uma dose extra ao percurso,
sai cedo em direção às pinturas rupestres de Las
Cuevas de las Manos e encontra os mais preguiçosos
no início da tarde.
O trecho a ser percorrido no segundo dia é menor,
com 663 km, o que não significa que a viagem
até El Chaltén será mais curta: são 12 horas sobre
chão de rípio, uma espécie de cascalho utilizado na
construção de estradas da Patagônia. O sacolejo
do ônibus chega a incomodar, mas a tonalidade de
cores que surge no horizonte da estepe adormece
qualquer efeito colateral. É um dos momentos
mais belos de todo o percurso.
No início da noite, a hospedagem é no Rancho
Grande, um aconchegante e cálido hostal de madeira
que costuma ser frequentado pelos amantes
de esporte radical que chegam a El Chaltén. Sopa
quente, pratos patagônicos bem servidos e alguns
bons vinhos são as opções da segunda noite. É uma
espécie de oásis após tantas horas de estrada.
O hostal, que oferece quartos duplos e compartilhados,
está na cidade desde o início dos anos
90, quando a região ainda recebia, sem estrutura
hoteleira, os poucos europeus que desembarcavam
na cidade em busca de aventura. Hoje, o bar
do Rancho Grande é o ponto de encontro de jovens
que buscam ecoturismo sem abrir mão do conforto
das grandes cidades.
Você está na capital nacional do trekking e, certamente,
não vai perder a chance de visitar locais
famosos de El Chaltén, como os cerros Fitz Roy e
Torre. Para isso, será necessária uma breve pausa
na aventura pela Ruta 40.
¡No pasa nada!. As saídas para a próxima e
última cidade do trajeto são diárias e programadas
para que o viajante possa lançar-se, primeiro,
nos caminhos que dão acesso a atrações impressionantes
de Chaltén como a Laguna de los Tres,
aos pés dos 3.405 metros do clássico Fitz Roy, e a
as prateadas águas da Laguna Torre que se localizam
em frente à sequência de pontas rochosas da
montanha de mesmo nome.
Algumas trilhas ultrapassam os 10 km de extensão,
por isso uma noite a mais nesse tranquilo
povoado de 500 habitantes será fundamental antes
do ponto máximo da viagem: El Calafate e o imenso
Perito Moreno, um glacial de 254 km².
No último dia da aventura, percorrem-se 215
km em pouco mais de 3 horas. O tom da viagem
ainda é ditado pelo clima seco dos Andes e quem
chega a El Calafate renova os ares no Parque Nacional
los Glaciares. Da aridez patagônica para a
paisagem branca da região.
O parque está a 80 km do centro e oferece aventuras
que vão de safáris náuticos ao paredão sul do
imponente glacial a um emocionante mini trekking
sobre o Perito Moreno, com direito a uísque e gelo
extraído dali mesmo.
A aventura parece ter terminado e, mesmo
que ainda sobrem mais de 3.500 km da lendária
Ruta 40 para conhecer, o viajante leva para casa a
experiência única de cruzar a Patagônia como um
autêntico aventureiro.
O jornalista Eduardo Vessoni viajou pela Ruta 40 a convite
da Chaltén Travel.
Serviço
A Chaltén Travel é a única empresa terrestre que opera a
linha Bariloche – El Calafate pela Ruta 40. Na alta temporada,
os ônibus saem de Bariloche em dias ímpares rumo ao sul. O
trajeto contrário é oferecido nos mesmos dias.
A empresa também funciona como agência de viagens e
opera saídas em toda a região da Patagônia argentina
Tel: (54) (2944) 456005 (Bariloche)
contacto@chaltentravel.com
www.chaltentravel.com
Hospe dagem em El Chalt én
Rancho Grande
Quartos duplos com diárias a partir de $ 200 (pesos argentinos)
ranchogrande@chaltentravel.com
www.ranchograndehostel.com
De stino Sur
A inauguração desse hotel 4 estrelas está programada
para novembro de 2009. Serão 36 quartos e uma área comum
com spa, bar e restaurante de cozinha regional com toque internacional
como o ‘cordeiro patagônico’. A mistura de estilos
inclui pisos de madeira, paredes de pedras e móveis rústicos
feitos com material local.
Mais informações: contacto@chaltentravel.com
www.chaltentravel.com