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Edição #83

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Love and the City

Texto: Fernanda Manzano
Fotos: Fernanda Manzano e divulgação

É comum escutar que pessoas se identificam mais com algumas cidades do que com outras, e também indivíduos que se transformam quando viajam, ou ainda que a “ciudad” os transforma. As metrópoles talvez sejam uma representação gigante de nós mesmos, de nossos funcionamentos, trafegos, trânsitos, temperaturas, construções. Depois de determinado tempo creio que fazemos simbiose, osmose e até fotossíntese com o lugar que moramos, ou naturalmente somos expulsos de lá.

Sei que quem passou por barcelona sempre quer voltar. Quando a cidade é citada aos peregrinos que vieram à Europa, é de praxe que eles recorram a memória e façam uma curta aterrissagem a terra barroca, passem pela praia, arquiteturas turísticas, baladas, pubs, cheiros, sons, pessoas e retornem numa exclamação suspirante: “ah barcelona, você vai amar”!

Assim como a personagem de sarah jessica parker, carrie, em “sex and city”, ou Woddy allen na película “manhattan”, ambos com seus casos de amor com e, em new York, muitas pessoas também se apaixonam pelas cidades que vivem. Há também quem não vive aonde ama por força maior, por exemplo, a mãe de uma amiga é uma aficionada por paris e volta sempre que possível, repetindo toda vez o ritual de fotografar a torre eifel. Ela muda, diz ela. Je crois que si! são paulo tem seus paulistanos fanáticos que até do trânsito gostam e os cariocas que mesmo depois de anos que se mudam do rio ainda insistem em manter o acento.

Chegando a data do dia dos namorados europeu reparo que the loves in the air. Na rua, casais de velhinhos ainda caminham de mãos dadas, os meus vizinhos jogam tranca e jovens pais brincam com seus filhinhos na plaza del sol enquanto as mamães folheiam o newspaper. Os solteiros para a cruel valentine Week, ao invés de se afogar no mojito espanol, devorar uma caixa de lint comprada por ele mesmo, ou ainda cogitar em adquirir uma camiseta souvenir i love barcelona (para ao menos ter o que amar) têm uma coleção de grandes shows para ir. Muito melhor passar o final de semana com oasis na sexta-feira e Kings of leon no sábado! seja abençoada barcelona, é muito justa com os solteiros! te queremos mucho!

Quantas cidades ficaram famosas pelas canções que as tiveram de musa e vice versa. Kings of leon em seus 6 anos de carreira dedicou músicas a manhattan e ao arizona. Pensando rapidamente já me vêm muitas a cabeca, the Wombats, moving to new York, frank sinatra, new York, new York, sufjan stevens, out to egypt, armin van buuren, sahara. Nossa internacionalmente famosa, garota de ipanema, dead Kennedys, Holyday in cambodja, the shins, australia e, uma interminável lista.

Sábado, a caminho do razzmatazz (uma casa noturna com 4 ambientes e aonde acontecem a maior parte dos shows, além dos excelentes djs set), pergunto a uma amiga que vive em londres e logo incorporou o sotaque britânico ao seu inglês o quê ela mais ama por lá. Ela me diz é apaixonada pelo mercado boêmio chic porto bello, com designers expondo seus trabalhos e que também é famoso por suas antiguidades e roupas de segunda mão. Suspira quando se lembra da atmosfera sempre cheia de gente dançando e soando música. Me conta também sobre o momo que é um restaurante marroquino francês com um club privado abaixo. Por lá toca música eletrônica étnica, ambientando uma decoração atípica, porém, linda e regada a coquetéis deliciosos. Uma londres no mínimo sedutora!

Em barcelona me apaixono pelo bocadilho e o cheiro da padaria entre travesseira de gracia e xiquets de valls, pelos cinemas antigos, por ver vênus no céu brilhando com nunca havia visto. Também pelos brechós cheios de poeira, pela vitrine da chanel com a calça amassada, no maior estilo espanhol e pela fonte do parque ciudatella. Se você não consegue encontrar a pessoa dos seus sonhos a probabilidade de pelo menos encontrar uma ci-dade para sonhar, inspirar filmes, compor músicas, escrever livros e vestir-se para perambular é maior. Como diz josé saramago no livro “a viagem do elefante”: “siempre llegamos a donde nos esperan”. Não deixe o quê quer que seja esperando… Frase clichê, mas por que não? qual o problema em ser brega às vezes? leve o ipod e boa sorte!

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