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Texto: Luanda de Moura
Fotos: Divulgação
"O setor que cresce 30% ao ano está batendo à sua porta*
“O despertador toca às 7h e o sistema integrado liga a cafeteira. Demoro um pouco para levantar, mas às 7h05 começa a tocar uma música agitada no alto-falante do quarto. Levanto e olho pela varanda, a grama e as flores ainda estão molhadas. Programei o sistema para irrigar o jardim às 6h. A piscina está limpa, com a água transparente. A filtragem e o controle de Ph funcionam bem. Tomo meu café e saio. Já no caminho penso se liguei a segurança da casa.
Ligo do celular, digito minha senha, consulto informações e aciono o alarme. Durante o dia espio pela internet como está meu cachorro, bem alimentado pelo sistema automático.
Voltando do trabalho, tudo que quero é relaxar. No meio do engarrafamento teclo o número de casa e programo a banheira de hidromassagem para a temperatura de 42 oC. Chegando, o veículo é reconhecido por um chip. Coloco o polegar no identificador de digitais, ao lado do portão, e ele abre. Os sensores de alarme são desligados. As luzes até a entrada da casa acendem.
Ao entrar, começa a tocar o CD especial-mente escolhido para a ocasião. Coloco uma lasanha congelada no forno, mas não ligo o aparelho. Vou até a banheira cheia, com a água perfeita. Mais tarde, ainda da banheira, pego o controle remoto que comanda a casa e ligo o microndas. Curto mais alguns minutos de relaxamento. Saio do banho, me visto e a lasanha está pronta. Janto e vou deitar assistindo a um filme novo, baixado da internet pela casa, que sabe muito bem o tipo de história que gosto.”
A rotina descrita por João Maurício Rosério, que é coordenador do laboratório de automação integrada e robótica, da Universidade de Campinas (Unicamp), parece ter sido inspirada em cenas de ficção hollywoodiana, mas não foi. Sensação entre os apaixonados por tecnologia, a automação residencial, ou casa inteligente, vem conquistando adéptos em muitos lares brasileiros. O que começou de maneira bastante tímida, com um sensorzinho aqui ou uma câmerazinha lá, hoje não tem mais limites.
Hélio Takahiro Sinohara, sócio da Future House, destaca que é possível criar cenários específicos para situações românticas ou festivas, por exemplo. Ele é responsável pelo projeto de uma casa inteligente na Barra da Tijuca, onde até a cama foi automatizada para reproduzir as vibrações sonoras de um filme e massagear o morador, um empresário de 35 anos que desembolsou R$ 50 mil em luxuosos mimos eletrônicos. Fábio Oliveira, que também é sócio da Future House explica que essa tecnologia não deve sufocar o cliente, de modo que o trabalho deva ser acompanhado por um arquiteto e um integrador, que é quem adequa os programas e sistemas, que ficam nos bastidores, à estética e decoração da residência.
‘Mas, se antigamente só as casas em construção é que podiam ser automatizadas, já que dependiam de tubulação específica interligada à central de comando, atualmente as instalações são rápidas, fáceis e baratas, acreditem. Por menos de R$50 é possível comprar um sensor de presença, que pode resultar em uma economia de até 20% no gasto de energia elétrica, segundo dados da Associação Brasileira de Automação Residencial (Aureside). E por menos de R$300 encontra-se kits, do tipo “faça você mesmo”, para acender e apagar, com um controle remoto, até seis pontos de luz.
O avanço tecnológico de sistemas de rede sem fio (wireless) barateou o custo da automatização ainda mais, pois desta forma exclui-se a necessidade de quebra de paredes e reformas de adequação. Essa opção também possibilita automatizar a casa aos poucos. Especialistas deste assunto afirmam que além de proporcionar conforto e bem-estar, a automação residencial é um investimento que valoriza qualquer imóvel. Seja por motivo de segurança, ou simplesmente para fazer um charme. Você receberá a alta- tecnologia de braços abertos.