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Texto: Dave Seaman
Tradução: Bruna Manzano
Fotos: Alan Bremmer e divulgação
Antes de começar eu gostaria de agradecer à Cool Magazine por me permitir escrever esta matéria ao invés de uma entrevista tradicional. É renovador ser capaz de escrever o que vier na cabeça, além de muito mais divertido.
Entrevistas são tediosas na maior parte das vezes, devido ao fato de sempre perguntarem a mesma coisa: qual o estilo de música que eu toco. Jornalistas são meio obcecados por gêneros. para mim, toda a idéia de dividir a música eletrônica em gêneros tornou-se redundante. eu olho os “charts” do Beatport e fico pensando como eles decidiram colocar determinadas tracks nas seções que elas estão. existem tracks na seção de tech House que para mim são obviamente progressive e vice-versa, isso mostra claramente como as linhas tornaram-se desfocadas. todo mundo tem uma idéia diferente do que gêneros significam. então, por que se preocupar tanto? Super análises são paralisantes e, realmente é tão importante o sabor de algo uma vez que ele é saboroso? existe o bom e o ruim em cada estilo, então deixemos as coisas boas e esqueçamos o resto. quem se importa com o nome. é tudo electronic Dance Music e nós amamos isso. um ótimo exemplo da dimensão que a electronic Dance Music pode alcançar foi no meu recente set no Warung Beach club, que foi umas das minhas duas melhores gigs deste ano. toquei por cinco horas em ambas as ocasiões, eu havia planejado tocar música de todo mundo, de Dubfire e Smith&Selway, passando por eric prydz e Sebastian leger, alguma coisa de Danny tenaglia e laurent garnier, um pouco de Audion e Bodzin, algum Buick project e layo&Bushwacka, Simian Mobile Disco passando por Bookashade e robert Babicz, e então um pouco de the eurythmics e peter gabriel. e sabe o que aconteceu? A galera de Santa catarina ficou louca com absolutamente tudo. eu já toquei no Brasil muitas vezes, a primeira vez em 1992 no columbia club em São paulo, mas essas duas festas no Warung este ano foram muito melhores do que tudo que eu já fiz antes.
A cena eletrônica brasileira atualmente é muito saudável. De fato, muitos DJs com os quais conversei concordam que é o melhor lugar do mundo pra se tocar. Além disso, tem muito DJ brasileiro fazendo barulho na cena mundial. gui Boratto e Anderson noise são dois expoentes na cena alemã e cSS tem representado o Brasil no european Festival circuit, porém eu tenho que dizer que eu achei o novo álbum, “Donkey”, um pouco desapontador. Há também promissores talentos despontando, Wehbba, renato cohen e carlo Dall´anese. Mas, alguns outros com quem eu toquei ao longo da minha visita, foram excepcionais, DJ Branko e Mary zander, apenas para nomear alguns.
De fato, aproveitando esta oportunidade, queria convidar todos os novos produtores de música eletrônica a enviarem demos para o meu selo, Áudio therapy. nós recentemente lançamos a música de uma argentino, Manuel Sofia (aka MoS) e também de um uruguaio, Frederico epis. nós amaríamos estender nossa conexão na América do Sul com o Brasil. por favor, mandem todos os “links” para info@therapymusic. co.uk. estou ansioso por notícias.
Basicamente, eu espero ter dito algo relevante para as boas pessoas do Brasil. vocês podem ficar orgulhosos de si, não apenas por possuírem um belo país com algumas das mais belas praias, as mais lindas mulheres e os melhores jogadores de futebol. Mas agora também por uma cena eletrônica tão boa quanto qualquer outro lugar no mundo. continuem com o ótimo trabalho!