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Texto: Paulinho Boghosian
Fotos: Divulgação

Na sua 15a edição, o Sónar mostra mais uma vez porque é considerado por muitos, o principal festival de música eletrônica underground , ou “música avançada”, como eles preferem dizer, do mundo.
O sónar acontece todos os anos em Barcelona e conta com uma programação variada que engloba música eletrônica nas mais variadas formas, cinema, e arte digital; ou seja, tudo que envolve som e imagem. o festival é famoso por lançar tendências, e com isso, seu lineup é sempre bastante eclético contando com apresentações que chegam a ser experimentais, mas também com artistas mais conhecidos, mas sempre passando longe do óbvio e do comercial. Por conta disso, tem a notoriedade de um evento underground, mas mesmo assim atinge públicos enormes.
Na sua versão 2008, o sónar teve uma programação extensa divida em 3 dias e 2 noites (sexta e sábado), isso sem contar a festinha de abertura na quinta-feira, que só de aperitivo teve como destaque Ben Watt, DJ e produtor do everything but the girl, que é sem dúvida um dos melhores DJs de deep house do mundo, e o show do goldfrapp. o sonar dia (sonar by Day) que rolou no ccBB (centro de cultura contemporânea de Barcelona), próximo a Plaça catalunya, centro da cidade e que tem um ambiente mais relaxado, descompromissado. é um grande espaço com áreas de céu aberto com estandes com exposições, palcos com shows; e também os auditórios, nas áreas fechadas. o público circula livremente, se junta em grupos e papeia no gramado curtindo o sol ou, entra nos auditórios para conferir as exposições multimídia.
Já o sonar noite (sonar by Night) foi sediado em um enorme centro de conferências (quase um expo center Norte de Barcelona), e tem um ambiente de “balada”. são 3 pistas com soundsystems absurdos, onde tudo é organizado, nos mínimos detalhes, da praça de alimentação aos banheiros, o sistema de bares, e até as opções de entretenimento extra, como os fantásticos carrinhos de bate-bate. a parte musical é o carro chefe do festival, e o sonar by night atinge públicos de até 30 mil pessoas por noite, sendo que na sexta-feira estava mais cheia que o sábado. o lineup foi fantástico, daqueles que você tem vontade de estar em 2 ou 3 lugares ao mesmo tempo, e trouxe grande parte dos principais artistas de música eletrônica que tem se destacado na atualidade, de richie Hawtin e ricardo villalobos a Justice e o clássico Yazoo, passando por miss Kitin, Hercules and love affair, e soulwax, mas passando bem longe dos David guettas e tiestos da vida…
TENDÊNCIAS E DESTAQUES
O sonar deixou claro pelos DJ sets que o house e techno são tocados com BPms cada vez mais lentos, cada vez mais dançantes e instrumentais, com poucos vocais cantados. a vinda do minimal e o “revival” do deep house tornaram a música mais swingada, com timbres clássicos e baterias antigas. a escalação de Jimpster - dono de um dos principais selos de deep house, o freerange records -, de Ben Watt do selo Buzzin fly e ex everything But the girl, e de ewan Pearson, um DJ que toca house ultra refinado (e lento) no horário de pico do festival na sexta, mostraram claramente que o deep house está de volta com força. os sets dos magos do techno, richie Hawtin, ricardo vilalobos e Dubfire (mais novo representante do estilo) também mostraram muito swing e tracks old school como o hit de lil louis - french Kiss, tocado pelo villalobos e o clássico do techno, rock to the Beat, do Kevin saunderson tocado pelo Dubfire.
Richie Hawtin, e seu clã do selo minus dominaram a parte final do sonar da sexta-feira. com o tema Kontakt e o novo logo que é um cubo iluminado por efeitos de luzes incríveis, o selo apresentou os principais artistas de seu raster como magda, troy Pierce, marc Houle e o próprio richie tocaram ao todo por cinco horas. foram sets de minimal techno, techno com batidas e baixos poderosos em alguns momentos, mas pouco emotivos e com bastante “bleeps” e “loops”.
Já, no sábado, Dubfire tocou na menor pista do sonar, mas lotou completamente a área e fez a casa vir abaixo com seu mais novo hit de techno, o remix de grindhouse, para o radioslave. Já,o set de ricardo villalobos foi o que encerrou o sonar no sábado, tocando house e techno “pra cima” e com tracks bem percurssivos, com bastante groove. a pista estava lotada, e o sol nascendo, a galera bombou até às 7h da manhã. o sónar trouxe também alguns dos principais live acts de música eletrônica, como o Justice, soulwax e o Hercules and love affair. ecléticos e com influência de outros estilos musicais, esses live acts fogem da seriedade e sobriedade dos DJs sets de house e techno do festival. Principalmente no caso do soulwax, e do Hercules and love affair, as apresentações seguem um modelo de banda de música eletrônica que está em alta no momento, com instrumentos tocados e vocalistas cantando ao vivo vocais poderosos. No caso do soulwax, a banda fez uma fusão de electro com rock e batidas fortes, que foi muito elogiada pelos críticos. os americanos do Hercules and love affair, por sua vez, apresentam seu estilo único de house music que tem um pé no disco e no funk, e já foi aclamado pela crítica. mas no festival foram bastante criticados pela falta de entrosamento e pela ausência de seu principal vocalista, anthony Hegarty. Já o Justice, que é um dos mais hypados live acts do momento, fez um show de luzes e sons que contagiou o público. a dupla francesa, que logo estará aqui no Brasil para o skol Beats, tocou vários hits como Never Be alone e D.a.N.c.e. e bombou muito a pista principal da sexta-feira. outro destaque do festival foi o live da vocalista roisin murphy, que é o mais próximo do “pop” que o sonar chega. o show é composto por vários hits vocais de vanguarda. em um show de muita energia com batidas house e toques de electro, a diva, que também é conhecida pelo seu trabalho com moloko, empolgou a galera presente no sábado. um dos pontos altos foi a faixa “overpowered” e também a bonita “forever more”.
OFF SÓNAR
O festival é fantástico, mas tem muita gente que gosta do sónar pela quantidade de eventos e DJs que estão na cidade fazendo festinhas aqui e ali, e não necessariamente do festival em si. a semana reúne grande parte da cena eletrônica no mundo. com isso, acontecem várias festas de selos e clãs nos diferentes clubs da cidade. tem até o circuito off-sónar ou anti-sónar, que é uma programação alter-nativa para as pessoas que não curtem o mega festival ou simplesmente preferem não ir. e a concorrência é pesadíssima. Para se ter uma idéia, quem passou a semana em Barcelona pode conferir: Josh Wink e schlomi aber no club fellini, sven vath no famoso club razzmatazz, michael mayer e seu clã da Kompakt, as “rooftop parties” da loja de disco online Beatport, ou a enorme festa do selo monza junto com o famoso get Physical (que já lançou Booka shade entre outros), que tinha lineup de festival, trazendo luciano e locodice tocando back2back no velódromo de Barcelona! mas, melhor ainda, são as festinhas que rolam na praia. Há alguns anos atrás, essas festinhas na areia rolavam soltas dia e noite, non stop. esse ano com a polícia em cima, as festas na praia ficaram concentradas na segunda-feira, pós-sónar, que foi dia de san Joan (são João). as pessoas têm a cultura de lotar as praias para celebrar. muita gente aproveitou pra fazer as “beach parties” aquele dia mesmo, em que a musica alta é liberada. Destaque para a festa que reuniu funkdvoid, audiofly, andy cato (groove armada) e o live maravilhoso do produtor de techno chymera, tudo isso em um só lineup, e ainda, de graça. a energia da galera na areia é difícil de ser colocada em palavras. tudo em clima muito alegre e descontraído; as pessoas estavam lá para ouvir boa música, e só isso que importava.