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Edição #95

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Carlos Ferreirinha

Texto: Bruna Manzano
Fotos: Divulgação

O administrador de empresas Carlos Ferreirinha é uma das pessoas que melhor conhece o setor de luxo no país. Apesar de se dizer imune ao poder das marcas, ele é um profissional bem sucedido da área. Em conjunto com a FAAP, criou o primeiro MBA de Gestão de Luxo em São Paulo. Em 2001, fundou em parceria com Daniele Costa, a MCF Consultoria & Conhecimento que presta assessoria e consultoria no desenvolvimento de negócios e estratégias de mercado no segmento de luxo e premium, aplicando os princípios de gestão desta atividade para clientes de diversas áreas de atuação, focada na orientação, capacitação, coaching e posicionamento estratégico. A Cool Magazine bateu um papo com Ferreirinha. Confira o resultado abaixo.

Qual a grife mais poderosa do segmento de luxo?
Depende do que entendemos de poder. Por faturamento e influência, sem dúvida alguma a Louis Vuitton. Mas, a Chanel é uma marca poderosa pelo grande status. A Armani é uma das mais lembradas no Brasil. Já a marca Bottega Veneta, do grupo Gucci, é uma das que mais cresce no mundo.

Quanto esse mercado fatura atualmente? De quanto tem sido seu crescimento?
O crescimento no mundo tem mantido uma taxa entre 12 e 18%. Alguns mercados crescem acima de 45% como Rússia, China e Índia. O Brasil, 17% entre 2006 e 2007. Os números de 2007 para 2008 serão apresentados em abril. O faturamento no mundo roda em torno dos US$410 bilhões e no Brasil US$3.9 bilhões.

O que justifica esse crescimento?
Profissionalização acima de tudo. Esta é uma atividade que tem sido gerenciada profissionalmente, com investimento e rigor forte nos últimos 20 anos. Formação de grandes grupos. Empresas abertas. Globalização. Há também o fato de que o mercado e o consumidor, estão ambos, dispostos a serem cada vez mais impactados/influenciados/ seduzidos por produtos e serviços que trabalhem a decisão emocional. O mercado de luxo trabalha exatamente nesta direção.

Dá pra dizer que quem consome luxo é quem tem amor por esses produtos ou quem quer mostrar que tem dinheiro?
Ambos. Há manifestações de todas as formas. Comportamentos distintos. Há quem compre por status, outros por conhecimento. Alguns por diferenciação e outros por poder. Há também quem compre por satisfação e prazer. O mais importante é entender que o consumo de produtos e serviços de luxo está associado à tomadas de decisões emocionais.

Qual a diferença do consumo de luxo e da ostentação?
Muita. Ostentação é um comportamento e não uma ação. Há quem consuma luxo para ostentar e existem pessoas que não. A ostentação nesta atividade é tão importante quanto o comportamento da busca de status ou simplesmente a compra pelo conhecimento diferenciado destas marcas e empresas.

Que segmento move mais o mercado de luxo? A moda?
Não. A moda é quem mais gera a visibilidade. Seguramente incorporação imobiliária, perfumes, car- ros, hotelaria… Estes lideram.

Alguma extravagância que lhe chamou a atenção?
São tantas. Mas também me chama a atenção o poder das marcas, a tradição, a qualidade acima das expectativas, a obsessão por detalhes. Estes também são atributos importantes para muitas pessoas na tomada de decisão. Não vejo a atividade do luxo apenas como extravagância.

Para quais marcas você já deu consultoria?
Diesel, Shopping Iguatemi, Shopping Cidade Jardim, Stella McCartney, Burberry, Baccarat, Souza Cruz, Puma Black Station, Trousseau, Tânia Bulhões perfumes, Mastercardblack, www.glamour. com.br…

Por que optou por atuar no mercado de luxo?
Optei em abrir uma consultoria especializada neste segmento porque passei 8 anos na EDS – Electronic Data Systems do Brasil, onde aprendi a lidar com a venda de desejos e logo após, 7 anos na Louis Vuitton, que me ensinou a enxergar o luxo como atividade profissional.

Qual o maior mercado de luxo?
Estados Unidos e Japão no consumo direto.

É uma característica do mercado de luxo não massificar seus produtos com montes de anúncios. Você acha que o mercado de eventos segmentados seria uma opção para as grifes ou não?
Sem dúvida alguma. Um dos atributos é a exclusividade. No momento tem sido importante a massificação/democratização do acesso de produtos e serviços de luxo. Fruto da profissionalização, a busca cada vez mais expressiva por resultados. Entretanto, o valor da exclusividade é muito importante. Por isso, eventos segmentados precisam ser considerados.

Qual a principal característica do luxo?
São tantas. Distribuição seletiva, obsessão por detalhes, localização especial, matéria prima diferenciada, mão-de-obra especializada, originalidade, tradição… Comprometimento total e sem concessões com a excelência.

Uma dica para quem quer atuar nesse mercado.
Persistência. Tenacidade. Visão de longo prazo. Depuração e entendimento do tempo. Sem concessões. Excelência.

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