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Edição #94

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GUSTAV KLIMT

Texto: nô mello
Fotos:
divulgação

O artista austríaco ganha sua primeira retrospectiva nos Estados Unidos, que mostra o lado mais erótico de sua obra em 120 desenhos.

Nome-chave do art nouveau, e base da arte moderna, gustav Klimt nunca havia ganhado uma retrospectiva nos estados unidos. a neue galerie, o museu de arte alemã e austríaca de nova York, é quem tomou a iniciativa então de promover uma para o artista austríaco. também para mostrar que coleção de Klimt é a maior que existe fora de viena, de onde vem o artista e ci-dade que foi seu núcleo de produção na virada do século passado. “O trabalho de Klimt é a cara da viena do fin de siècle, de sua riqueza, sensualidade e capacidade de inovar”, define renée price, diretora da neue.

O museu do upper east está exibindo uma série de 120 desenhos que o artista fez em sua maioria para si, e não para comercialização. Ou seja, pouca gente viu até hoje esses trabalhos, todos com uma dose bem mais forte de erotismo, uma de suas características mais marcantes. no entanto, uma olhada nos desenhos da neue mostra que as telas eram bem mais suaves na sensualidade que os desenhos – cenas de lesbianismo, mulheres se masturbando, seios à mostra são bem mais explícitos nos desenhos – temas que se ainda hoje são tabu, imagine nos 1800 e começo dos 1900. “Klimt era completamente apaixonado pelas mulheres”, explica renée. “É parte indissociável de sua obra.”

Esses desenhos, alguns deles estudos para seus quadros mais célebres, foram em sua maioria feitos em um estúdio que a neue galerie reproduziu no terceiro andar do seu prédio. O ambiente foi o local físico onde Klimt criou várias de suas obras, desde sua chegada ali em 1892 até o verão de 1912, seis anos antes de sua morte.

O espaço foi todo concebido na época por Josef hauffman, designer do Wiener Werkstatte (ateliê vienense), do qual Klimt também fazia parte, e grupo-símbolo da secessão de viena, que encabeçou o art nouveau em toda a região. as janelas, estantes, cadeiras, luminárias, tudo o que está ali em exibição foi concebido na época, e o conjunto foi montado a partir de uma fotografia de 1912 tirada no ambiente. e da mostra, também fazem parte 8 pinturas do artista – entre elas, os painéis ‘beethoven Frieze’, feitos em 1902 e a tela ‘hope ii’, de 1907-08. Outra que vale a visita, e que está na mostra como desenho, e como tela, é ‘adele bloch-bauer’, de 1907, comprada dois anos atrás pelo billionaire ronald lauder, dono da neue. lauder pagou pela tela, que é considerada a ‘mona lisa’ de Klimt, 135 milhões de dólares.

Gustav Klimt: Neue Galerie – 1048 Fifth Avenue, New York. Tel.: 212-628-6200. www.neuegalerie.org. Até 30/06.

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