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Texto: luanda de moura
Fotos: divulgação
Eduardo Saretta é enfático “Se engana quem pensa que es ta é uma galeria de grafiti. A Choque Cultural é, acima de tudo, uma galeria que expõe e comercializa arte”.
Historiador por formação e colecionador de arte por paixão, este paulista um cadinho amineirado move mundos e fundos para dar visibilidade ao trabalho de jovens artistas brasileiros. como sócio da choque cultural, ele é responsável por uma porção de coisas que incluem programação de intercâmbios e exposições, agenciamento de propostas e aconselhamentos de egos: “faço de tudo. pinto as paredes, prego e embalo quadros, incentivo os meninos a fazerem cursos de idiomas, a buscarem aperfeiçoamento”. na família choque cultural, Saretta faz o tipo de irmão mais velho.
Sim, ele é sério. todos da choque são, mas nem de longe são sóbrios nem presunçosos. o jeito acolhedor e a energia dos sócios dão o tom da galeria. Baixo ribeiro e mariana martins já tinham uma editora com o mesmo perfil e nome. tinham também um fotolog e foi primeiro no meio virtual que eles encontraram Eduardo Saretta. identificaram-se imediatamente e Saretta foi convidado a aparecer para colocar a mão na massa, ou melhor, na tinta: “Eu vim fazer uma parede e por muita generosidade deles, acabei virando sócio da empresa”, revela.
A internet é uma ferramenta indispensável na rotina da galeria. foram vários disparos de e-mails, longos chats e vídeo-conferências regulares para montar uma rede de trabalho sólida, que inclui galerias e marchands nos quatro cantos do plane-ta. Entre as galerias, Saretta esclarece que algumas atuam com o mesmo repertório da choque, a exemplo da Jonathan levine gallery, de nova York: “mas há outras [galerias] com perfil bem diferente do nosso, como a galerie natalie duchayne, que fica em St. tropez, na frança.”
Como tudo em arte, cada relação é única, pontualmente exclusiva. a cada troca ou parceria entre galerias, surge algo novo que valoriza as obras e os artistas. uma crítica favorável consegue multi-plicar o valor de uma gravura. uma polêmica também pode despertar o interesse dos compradores. Esse mecanismo do mercado de artes é ainda insipiente no Brasil, mas Eduardo Saretta não perde o entusiasmo: “há artistas da choque que em quatro anos tiveram obras valorizadas em mais de 2000%. Estamos vivendo um calor de ver filas de compradores no e-Bay, a espera de uma obra de arte”, anima-se. a demanda é tanta que a choque montou um site exclusivo para vendas no exterior, o choquecultural.uk.
“É comum as pessoas pensarem que comprar arte é coisa pra quem tem muito dinheiro, mas isso não é verdade. muita gente entra na galeria e se surpreende, primeiro com as obras, que são bem diferentes do que há por aí, e depois com o preço, que são bem acessíveis”, indica Saretta. “a proposta da choque cultural é colocar arte no diaa-dia das pessoas”, completa. os preços atraem, mas é o conteúdo das peças que estimulam jovens colecionadores. independente do sotaque ou idioma, artistas e compradores se comunicam por uma linguagem urbana e contemporânea. a comunicação é a essência do trabalho de artistas como Speto, rapaz com 22 anos de experiência com ilustrações em diferentes mídias. Seus traços já marcaram o universo streetwear, capas de cds e lps, cenários de shows, muros e praças de São paulo: “comecei a grafitar em 1985, influenciado pelo filme “Beat Street“ [Eua, 1984]. pouco depois fiz a primeira ilustração profissional para um anúncio de tênis de skate”, explica. nessa época Speto enchia a mochila de sprays e deslizava sobre seu shape pela zona norte da capital: “mas eu já era fã de candido portinari, de ademir martins, entre outros. Sou o caçula em uma casa de artistas”.
Uma característica do trabalho de Speto é a mistura de personagens folclóricos com o universo underground. tem um quê de cordel nordestino, com paper cut chinês e escrita maia. “até a década de 90, minha técnica era bastante americanizada. foi depois que eu vi uma capa de um disco do oingo Boingo, com uma ilustração do folclore mexicano, que eu me interessei em mais pela nossa cultura popular”. o resultado dessa pesquisa pode ser visto na capa que ele fez para o álbum de lançamento dos raimundos. desde 2004, Speto expõe parte de seu trabalho na choque cultural. Ele conta que fazia gravuras intuitivamente quando Baixo ribeiro o convidou para integrar o elenco da galeria. “não imaginava que a cena poderia mudar tanto”, confessa. há pessoas que ainda ficam chocadas com o visual desses artistas, mas quando o preconceito é superado, abre-se um caminho de diálogo entre gerações, que faz render idéias e atitudes de respeito.
Serviço
Choque Cultural Seg-Sáb, das 12 às 19 horas.
Endereço: Rua João Moura, 997 Pinheiros - São Paulo Telefone: (11) 3061 4051 e-mail: galeria@choquecultural.com.br