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Texto: Luanda de Moura
Fotos: Augusto Mestieri
“Pode perguntar qualquer coisa, só não prometo responder tudo.” Foi assim que o sorridente e solícito Armin van Buuren recebeu nossa reportagem no camarim da Pachá, em São Paulo, pouco antes de dar início a versão brazuca da turnê mundial, Universal Religion. Em sua quarta visita ao país, o DJ e produtor tem motivos de sobra para ficar feliz. Ele não apenas alcançou o topo da lista da publicação britânica DJMag, como seu programa semanal de rádio, A State of Trance, e a edição 2006 do álbum que leva o mesmo nome, foram igualmente premiados, durante a International Dance Music Awards, convenção anual realizada em Miami: “É uma honra e um sonho realizado”, admite modestamente.
Tanto reconhecimento não é só fruto do carisma e da criatividade desse holandês de 31 anos. Desde que ganhou o primeiro computador da mãe, quando ainda era criança, Armin começou a mixar e gravar fitas cassete para os amigos e não parou mais. “Cheguei a cursar direito para garantir um futuro, caso a carreira como DJ não desse certo”, confessa.
Para a nossa sorte ele insistiu em tocar todos os finais de semana enquanto esteve na faculdade e foi aperfeiçoando seus sets de trance, com pegadas de techno, electro e progressive. “Há tanta música boa no mundo que eu não posso me permitir ficar refém de um só estilo”, insiste.
Armin acredita que foi seu desejo por mostrar e conhecer a boa dance music do globo que fez com que ele criasse o selo Armada em 2003, por onde lançou seu primeiro álbum solo, o 76, no ano seguinte. O segundo e premiado álbum, Shivers, saiu em 2005. “76 foi uma espécie de the best of das compilações que eu fiz anteriormente, algumas do início da carreira. Shivers traz o meu trabalho mais recente. Tem uma certa influência pop rock e um cuidado especial com as letras das músicas. O trance pode soar diferente, mas a essência e o sentimento continuam o mesmo”.
Muito trance é o que ele promete para o próximo álbum, com lançamento previsto para este ano. Quanto às participações especiais, Armin não abre o jogo. “Se eu disser agora, pode ser que algumas pessoas fiquem chateadas”, desconversa. Dono de uma técnica impecável, Armin diz que se preocupa mais com a parte artística na produção dos álbuns. “Meu desejo é fazer algo para ser ouvido em casa ou no carro”, argumenta. Ao vivo é outra coisa. Os sets são sempre surpreendentes e jamais decepcionam. “Nessa hora só me interessa criar um momento especial para o público. Busco equilibrar os clássicos com uma batida mais pesada, até chegar a um grande clímax.”, explica.
O top acha que a cena eletrônica brasileira cresceu bastante desde sua primeira apresentação no país. “Tenho cada vez tocado mais música brasileira nos meus sets. O Brasil é o coração pulsante da dance music hoje em dia. As pessoas reagem como se estivessem em uma partida de futebol. Há uma torcida, uma vibração; a sensação é fantástica. Todos os DJs que conheço adoram se apresentar por aqui”.
Perguntado sobre a razão para a escolha do nome da turnê, Armin explica que já tocou em muitos lugares onde a religião é base da sociedade, como Dubai e Israel, e também onde a religião não parece tão importante, como na Holanda, ou Alemanha. “Todos amam a música, todos amam dançar. Isso mostra que no final das contas não somos tão diferentes assim”, defende.