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Edição #95

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Texto: HowStuffWorks www.hsw.com.br

Fotos: Divulgação

A guerra às sacolinhas de plástico

A extraordinária quantidad e de lixo que as pess oas produzem afeta seriamente o ambiente. Boa parte do lixo é composta
por plástico – no Estad o de São Paulo, por exemplo, 18% do total, segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente
de São Paulo.

Em geral, é produzido a partir de fontes não-renováveis de energia (como o petróleo) e sua biodegradação ocorre em, no mínimo, 200 anos. e por ser flexível e maleável, ele é empregado em centenas de milhares de produtos. quase tudo tem pelo menos um pouquinho de plástico. São produtos que vão de carros e caminhões a inofensivas sacolinhas plásticas. e, digase de passagem, os ecologistas odeiam as sacolinhas. e com tanta coisa errada no mundo, por que será que os ecologistas foram encrencar justamente com as sacolinhas de plástico? não é só porque elas são de plástico. As sacolas são um ícone de consumo. e o consumo exacerbado, vale lembrar, é um dos grandes problemas enfrentados pela nossa sociedade atualmente. quem nunca viu, na televisão, um comercial de loja de varejo que retrata a felicidade eufórica de seus clientes, ao saírem de suas lojas carregando uma penca de sacolas?

Estatísticas da “plasticomania”

São tantos produtos de plástico no mundo e foram implicar justamente com as sacolinhas. mas será que elas são tão insignificantes assim?

• estima-se que o mundo utilize 1 milhão de sacolas plásticas por minuto;  
• no mundo, são consumidas mais de 500 bilhões de sacolinhas plásticas por ano;  
• no paraná, os supermercados produzem cerca de 80 milhões de sacolas por mês;  
• uma barraca de feira chega a utilizar mil saquinhos plásticos por dia;  
• o brasil produz anualmente cerca de 250 mil toneladas de filme plástico (material de que são feitas as sacolinhas plásticas);  
•o plástico representa cerca de 10% de todo o lixo do país.
(Fontes: Conpet, Ministério Público do Paraná e Plastvida)

A verdade é que os ecologistas enxergam, na substituição ou abolição das sacolinhas plásticas, a resolução de dois sérios problemas ambientais: o excesso de lixo plástico gerado pelo homem e a cultura do hiperconsumo. particularmente, a questão do excesso de lixo plástico implica em um sério problema de gerenciamento de resíduos, que é a impermeabilização de aterros sanitários e, consequentemente, o aumento da probabilidade da contaminação de solos por chorume.

Será o fim das sa colinhas ?

Felizmente, a maioria das pessoas já percebe o impacto do excesso de sacolinhas plásticas no meio ambiente.

Muitos supermercados já oferecem aos consumidores sacolas de pano ou tecidos mais resistentes (como o náilon, por exemplo), que não são descartáveis e, portanto, não geram tanto lixo. um exemplo é o grupo pão de Açucar que desde 2005 comercializa estas sacolas. Até setembro de 2007, no entanto, haviam sido vendidas somente 90 mil unidades do produto. O resultado é ínfimo se considerado o volume de sacolinhas utilizadas no mesmo período.

Mas as alternativas não param por aí. Alguns países europeus e estados norte-americanos têm estipulado multas pelo uso de sacolinhas plásticas. Em São francisco, califórnia, tramita uma lei que simplesmente proíbe seu uso. em 2001, a irlanda introduziu um imposto sobre o uso cada sacolinha (na época, equivalia a 30 centavos). em cinco anos o consumo das mesmas, de cerca de 1,2 bilhões por ano, caiu mais de 90%.

Diminuindo o consumo de plástico

O primeiro passo para a diminuição do consumo de plástico não precisa ser dado necessariamente pelas redes de supermercado ou pelo governo, o consumidor pode ser o primeiro. Veja abaixo algumas dicas para substituir as sacolinhas de plástico:  
• quando for ao supermercado, tente carregar as compras na sua própria bolsa ou mochila;  
• leve a sacola de feira para fazer as compras;  
• encha cada sacolinha com o máximo de produtos que ela suportar;  
• reutilize as sacolinhas em casa, por exemplo, como saco de lixo.

Existem sa colinhas de plástico “ecologicamente corretas ”?

Existe uma polêmica em relação ao emprego dos plásticos oxi-biodegradáveis (também chamados de “ecologicamente corretos”) em sacolinhas plásticas. muitos supermercados e lojas têm adotado estas sacolinhas, informando a seus clientes que as mesmas são “verdes” ou “ecologicamente corretas”. mas até que ponto os plásticos oxi-biodegradáveis são ecologicamente corretos? os oxi-biodegradáveis são, à primeira vista, plásticos idênticos aos comuns. o diferencial, no entanto, está na sua composição molecular, a qual é adicionado um aditivo químico de sal (cerca de 1 ou 2%), que acelera seu processo natural de biodegradação – de 400 para 24 meses. o processo é relativamente simples: o aditivo químico reage com o oxigênio existente na atmosfera (daí o termo oxi-biodegradável), agindo diretamente nas ligações de carbono do material, fazendo com que o mesmo se fragmente rapidamente, catalisando seu processo de biodegradação natural. o que naturalmente levaria centenas de anos pode ocorrer em até menos de 12 meses.

Se o único problema ambiental do plástico fosse o seu tempo de biodegradação natural, a afirmação de que os oxi-biodegradáveis são plásticos ecologicamente corretos estaria correta. mas o buraco é mais embaixo.

A oxi-biodegradação ocorre apenas em condições ambientais específicas - deve haver, no mínimo, presença de oxigênio para reagir com o aditivo químico. estas condições, no entanto, nem sempre ocorrem em lixões ou aterros sanitários. A característica de rápida biodegradação é totalmente anulada, persistindo os problemas de acúmulo de lixo e “plastificação do solo”. esses dados estão num laudo da Association of plastics manufacturers - plastics europe. não podemos esquecer, também, de um outro problema ambiental inerente aos plásticos: a matéria-prima para sua produção é o petróleo, um insumo não-renovável. contra este mal, a única alternativa é o bioplástico (plástico produzido de biomassa). este tipo plástico, por sua vez, está economicamente acessível a pouquíssimos mercados, já que seu alto custo custo de produção inviabiliza seu emprego em massa nas embalagens de bens de consumo.

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