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EDIÇÃO #72

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SABOR & SABER

Informe Publicitário Gastronômico

Sabor e Saber by Carlos Iglesias
Foto: Divulgação

Com o fim da Revolução Francesa, alguns nobres que restaram vivos, mas já sem suas fortunas, decidiram abrir seus próprios castelos para ganhar a vida vendendo refeições. Tinham agregado durante os anos de fartura, grande conhecimento gastronômico, e por essa razão dominavam a arte de servir. Aos seus pés sempre tiveram a plebe que jamais renunciaria a um lugar ao fundo de seus aposentos.

Hoje, por mais que não tenhamos mesas imperiais ao nosso dispor com tal facilidade, muitos que se dedicam a gastronomia não abrem mão de espaços suntuosos e jantares à altura dos palácios que chegavam abrigar cerca de 150 pessoas em uma mesa contínua. Contratam banqueteiros e chefs bem dotados de prestígio entre os “Mauricinhos e as Patrícias”. Afinal, continuam sendo eles os reis de antigamente, que ainda utilizam baixelas de prata como utensílios domésticos no cotidiano. Os novos-ricos sempre querem do bom e do melhor.

Por um outro lado, nós que viemos em um país onde a miséria e a fome reinavam durante a ditadura franquista, jamais pudemos acompanhar os franceses em sua maneira hospitalar-gastronômica. Nossos pais tiveram que sofrer “duras penas” para pagar nossa escola e nossa educação, para que um dia pudessem sonhar com uma geração avantajada em conhecimentos e comendas. Tinham a ilusão em ocupar um espaço social somente reservado aos de “sangue azul”.

O Prêmio gastronômico Le Cordon Bleu somente era concedido pelo rei aos melhores. Imaginem só! É como se seu restaurante entrasse para o guia Michelin, o único que oferece três estrelas mundialmente reconhecidas e levasse o melhor da festa para casa. A realidade é somente uma: enquanto uns mostram soberania no aprendizado e se dedicam com afinco para tal conquista, outros se julgam em posição suprema, ao ponto de terem vergonha ou complexo de inferioridade em recepcionar e sentar o cliente, limpar mesas ou até mesmo inovar com receitas criativas e divertidas. Obviamente; nem todos nasceram para servir. Afinal, ser servido é muito melhor do que colocar a barriga no balcão dia e noite.

Orgulho-me daqueles que recebem seus clientes como se fossem seus melhores amigos. Em São Paulo, temos algumas autoridades nesse setor, porém falta-nos concretizar a imagem de uma cidade mundialmente reconhecida pela sua gastronomia e hospitalidade. São raros os que demonstram verdadeira maestria em território internacional. Os que se orgulham de uma empresa exclusivamente brasileira tem mérito excepcional; afinal, o Brasil necessita de investimentos internos para dinamizar sua economia e melhorar o perfil social de nossa população. Mas, é também essencial reconhecer aqueles que chegaram ao topo de suas carreiras e colocaram filiais de seus negócios em arena internacional.

Meus parabéns ao Fogo de Chão, que ganhou o prêmio concedido pela Veja SP 2007, como o melhor restaurante rodízio de São Paulo. Ganhar em São Paulo, é sinônimo de competência e profissionalismo. O mais incrível é a humildade de seu dirigente que começou como garçom e hoje tem uma rede de 10 filiais nos Estados Unidos.

Que Deus abençoe os verdadeiros líderes de nossa nação para que um dia também possamos dar o exemplo aqui ou acolá.

 

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