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Edição #95

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Lapenda

Texto: Bruna Manzano
Fotos:
Geno Nicholas e Crosby Group

Hollywood não é mais sonho

Em meados dos anos 80, o pernambucano Frederico Lapenda imaginava seu futuro fazendo cinema. Hoje, aos 38 anos, ele pode dizer que seus sonhos não eram apenas divagações. Frederico trocou Recife por Los Angeles, aos 18 anos, e estudou cinema na UCLA (University of California). Atualmente, trabalha em Hollywood. Seu sonho tornou-se realidade através de muito trabalho. Em meio ao seu cotidiano atribulado, bateu um papo com a Cool Magazine. Confere aí!

Como surgiu a idéia de trabalhar no cinema?
Começou na minha adolescência. Lembro que, quando ia ao cinema, saía super impressionado e ficava sonhando acordado… A indústria sempre me fascinou e os filmes a que assisti causaram um impacto enorme na minha vida, especialmente “Grease”, “Flashdance”, “Rocky”…

E como você começou a transformar este sonho de criança em realidade?
“Garota eu vou para a Califórnia” (do Lulu Santos) era sucesso na época. Trouxe até uma fita quando vim para Los Angeles. O sonho era presente, mas era tão irreal, distante e inatingível. Imagine você que eu era apenas um imigrante, pobre, nordestino, órfão de pai e não sabia falar inglês! E isso em uma época em que nem existia internet, msn, skype e nem celular. Eu estava fazendo Administração na El Camino College (universidade) quando fui assistir ao “Fantasma da Ópera” no teatro. Nessa época, eu estava escutando umas fitas de auto-ajuda do Anthony Robins, e quando saí da peça falei para mim: “De agora em diante, vou usar toda a minha energia para entrar no mercado e me tornar um cineasta“.

Quais foram os primeiros trabalhos?
Fiz dois curtas na escola: “Iluminado” e “Cuidado Com O Que Pedi A Deus”. Mas depois que me formei, optei por ingressar na TV, porque nesse momento o Vale-Tudo (uma modalidade de luta livre) tinha sido introduzido no Pay Per View america-no com muito sucesso. De 1994 a 2001, trabalhei promovendo lutas de Vale-Tudo em vários países, como Japão, Rússia, Israel, Aruba, Jamaica, Ucrânia, Holanda… Só em 2001 resolvi retomar minha carreira como cineasta. Muitas portas se abriram para mim depois do sucesso que tive como produtor/promoter de luta livre.

Meu primeiros projetos foram “O Renascimento do Vale Tudo” e ”A Máquina de Destruição”, que contava a história de Mark Kerr, um lutador que descobri em um dos eventos que promovi no Brasil. Este atleta se tornou super famoso no cenário mundial. Este filme mostrava a decadêcia do Kerr, o lutador mais temido da época, desmitificando um mito. Passou no canal HBO e foi um sucesso enorme, abrindo mais portas para mim.

Quais são seus trabalhos atuais?
Hoje trabalho na produtora de filmes Mandalay que, em 2002, me convidou para fazer parte da equipe. Foi um momento especial na minha carreira, porque o dono da empresa, Peter Guber, foi produtor do “Flashdance”, um dos filmes que tanto me marcou na adolescência. Ironia do destino ou poder da mente? Lembro que quando entrei na companhia para assinar o contrato, pensava: ”Será que não estou sonhando?” É impressionante como “querer é poder”. Pois sete anos antes, eu tinha lido um livro sobre o Guber, que havia causado um impacto fortíssimo na minha vida. A Mandalay já produziu filmes como “Sete Anos no Tibet”, com Brad Pitt, “Donny Brasco”, com Jonnhy Depp e Al Pacino, e “Beyond Bordes”, com a Angelina Jolie, entre muitos outros.

Trabalho também na Paradigm Pictures. Nessa companhia, que eu criei, tenho maior livre arbítrio para desenvolver os projetos que gosto com orçamentos menores.

Quais são seus atores e atrizes americanos prediletos?
Esta pergunta é muito difícil de responder, pois sou fã da arte de interpretar e alguns atores, até mesmo por sorte, tiveram a chance de interpretar personagens marcantes que me influenciam a gostar mais de um do que do outro. Como Mel Gibson, no filme Coração Valente, meu filme favorito de todos os tempos. Mas os que me vêm à mente são Jack Nicholson, Al Pacino, Meryl Streep, Gwyneth Paltrow.

Qual o melhor ator e a melhor atriz com quem já trabalhou?
Denise Richards e Pamela Anderson fizeram um trabalho maravilhoso no último filme que produzi, “Blonde & Blonder”, uma comédia engraçadíssimas, na mesma linha do filme “Debi & Lóide”, do Jim Carrey. São duas comediantes natas e naturais e foi ótimo trabalhar com elas. Inclusive, fizemos a première, dia 18 de maio, em Cannes. Em outra comédia que produzi em 2005, “Shut Up and Shoot”, tive o prazer de trabalhar com outros dois atores que já fizeram trabalhos maravilhosos: Garey Busey, que pelo trabalho que fez no filme “The Buddy Holly Story”, ganhou uma indicação ao Oscar como melhor ator. E John Savage, que fez “Dear Hunter”, vencedor do Oscar de melhor filme e melhor ator codjuvante para Chistopher Walkin. De Niro e Meryl estavam no elenco do filme e também foram indicados.

Com quem sonha ainda em trabalhar?
Com muita gente, a lista é enorme. Além dos nomes que já citei acima, você pode acrescentar Robert De Niro, Edward Norton, Hilary Swank, Ana Paula Arósio, Osmar Prado…

Como é trabalhar em Hollywood? Quais as dificuldades?
Trabalhar em Hollywood é supermaneiro e gratificante, pois é uma profissão extremamente querida e que abre muitas portas. Aonde você vai, te recebem com carinho e afeição. Por outro lado, é um ramo supercompetitivo e difícil de entrar e se manter, pois pessoas do mundo todo vêm para Hollywood com o mesmo objetivo e determinação que eu tive. Exige muito de você, é um desafio diário.

De onde vêm as idéias para os filmes?
Até hoje, todos os filmes que produzi foram baseados em roteiros que comprei de outros escritores. Mas tenho um roteiro que escrevi que devo produzir no próximo ano. A execução de um filme é um processo mais natural para mim do que a criação.

Como se dá a escolha dos atores, o local onde será rodado, etc.?
A escolha dos atores é feita em um teste coordenado por um casting director (diretor de elenco). Mas existem nomes que o produtor ou diretor já sabem que querem para determinados papéis, então enviam o roteiro diretamente para este ator ou atriz, ou para seu agente, para saber se existe interesse e disponibilidade. Quanto ao local, existem duas variáveis: a integridade do roteiro e o fator financeiro. Muitas vezes, você é obrigado a fingir que está em um certo local sem estar para economizar no orçamento.

Alguma ambição?
De me eqüalizar espiritualmente e psicologicamente… E de encontrar e realizar projetos que me façam feliz.

Maior sonho de consumo?
Uma fazenda em Santa Barbara ou Napa Valley (EUA), mas não neste estágio da minha vida. Quem sabe daqui a uns 15 anos…

Exerce alguma outra atividade, além do cinema?
Não, a única coisa que faço é cinema, que me ocupa muito e deixa muito pouco tempo de sobra para qualquer outra coisa.

Hobby?
Esquiar.

Algum projeto para o ano de 2007?
Estou desenvolvendo dois projetos e devo começar a rodar um agora em agosto, se tudo correr bem.

O que é ser cool para você?
Ser simples, humilde, perdoar, escutar, ajudar, respeitar, e saber pedir desculpas quando estiver errado.

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