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EDIÇÃO #72

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Lisboa

O BRASIL DESCOBRE PORTUGAL

TUDO BEM, DEPOIS DE MAIS DE 500 ANOS CHEGOU NOSSA VEZ DE INVADIR PORTUGAL.

Texto: Mariana Baccarin
Fotos: Villano

A grande Lisboa abriga quase 3 milhões de pessoas, inclusive brasileiros. Fábio Oliveira está vivendo em Lisboa há 7 anos, trabalha num hotel onde antes era o Palácio Valle Flor e hoje funciona como uma hospedagem de luxo no bairro Alcântara. Portugal viveu sobre os mandos do ditador António de Oliveira Salazar durante 36 anos. A Revolução de 1974 e a entrada na União Européia, em 86, provocou uma mudança de rumo em Portugal, fazendo da rigidez antiga um país dinâmico e em harmonia com o resto da Europa. Hoje o ambiente é economicamente favorável e está em expansão. Apesar da atmosfera ser de novidade, o visual é extremamente o oposto: nas ruas se observam construções antigas, que abrigam ambientes modernos. O som é uma mistura de línguas, faladas por turistas de toda a Europa. Por todos esses detalhes é que caminhar em Lisboa é indispensável, tudo deve ser observado, e para isso, o tempo é fundamental. O Castelo de São Jorge, localizado no pico mais visível da cidade, foi construído no século 5, e a vista abrange todo o Chiado e o Bairro Alto. Foi usado como residência real até o século 16, depois transformou-se num presídio, e foi aberto para a visitação, ali encontra-se um café com belos jardins.

Além das muralhas está Alfama, bairro construído pelos mouros, com suas ruelas labirínticas, bares e restaurantes com vistas espetaculares. Depois de conhecer o Castelo de São Jorge, é mágico se perder nas vielas estreitas e escadarias que serpenteiam a descida até o rio. Numa dessas andanças é bem provável que você descubra bares ou restaurantes charmosos, como o Chapito, mistura de bar, restaurante e teatro. O coração de Alfama pode ser avistado do Miradouro de Santa Luzia. À frente desse mirante, uma Igreja é coberta por azulejos que contam fatos importantes da história de Lisboa. De qualquer lugar da capital, é provável ser surpreendido pelo som dos sinos, das numerosas igrejas presentes. Uma das mais belas é a Catedral da Sé, com duas torres em sua fachada, construída logo depois que o rei Afonso Henriques tomou Lisboa dos Mouros, no século 12.

O Chiado é um bairro que abriga teatros e gale-rias de arte, e ao lado do Bairro Alto, esses são os mais frequentados pelos mordeninhos. No Chiado, o café estilo art nouveau, A Brasileira, imortalizou o poeta português Fernando Pessoa, em bronze num de seus destinos prediletos. No Bairro Alto, construções quinhentistas abrigam lojas up front, bares descolados, arte de rua e baladas minúsculas, mas efervescentes. É desse ambiente, ora decadente, ora avant-garde, que surgem tendências. Nem comercial nem popular, o bairro dita o que vai ser música, moda e arte na Europa. Uma casa de shows, que mais parece um buraco, tremeu as bases de Lisboa com a banda ASYL, franceses que mostraram um suado e performático punk rock. É lá também que estão as impressionantes ruínas do Carmo. O que sobrou de uma igreja construída em 1389, após o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. As enormes paredes, a céu aberto, merecem um minuto de contemplação.

De um lado o novo, do outro a tradição. Para en-tender o espírito português, não perca um clássico bacalhau numa casa de Fado, música típica e triste, portuguesa. O fado surgiu nas tavernas da Alfama e seus primeiros fãs eram prostitutas, cafetões, marinheiros e bandidos munidos de faca. Suspeita-se que essa melodia de saudade era cantada pelos navegadores que se aventuravam ao mar. Hoje a canção está entranhada na alma de Lisboa e deve ser saboreada com um bom vinho português. Seguindo o caminho da boca, os pastéis de Belém devem ser apreciados no tradicional bairro de origem. Belém abriga uma série de monumentos importantes, de antigos a modernos, todos podem ser visitados por deliciosas caminhadas à beira do rio. O magnífico Mosteiro dos Jerônimos ergue-se na Praça do Império e apresenta em sua decoração elementos góticos. O mosteiro é um cemitério de portugueses ilustres, lá estão enterrados Vasco da gama e Luís de Camões, sobre tumbas que são verdadeiras obras de arte. Outro ponto turístico a ser visitado é a bela Torre de Belém, construída em 1519 para proteger a cidade de piratas ingleses e holandeses. O transporte público é seguro e muito charmoso, os bondes elétricos circulam pelas principais ruas da cidade e fazem parte da história do local. Assim mesmo é que se vai a Sintra, de comboio (trem).

A CIDADE DOS CASTELOS

A meia hora de trem de Lisboa está a maravilhosa e pequena cidade de Sintra, que resiste, charmosa, ao longo dos anos. Cidade no alto das montanhas, cravejada de palácios, castelos e jardins exuberantes. A começar pelo alto, o Palácio da Pena, foi moradia de Fernando de Saxe-Coburg, príncipe regente e grão-mestre da Ordem Rosacruz. Esse castelo foi construído em 1840 e parece que saiu de um conto de fadas, colorido e imponente, pode ser avistado no topo da cidade. Por uma caminhada pode-se chegar ao Castelo dos Mouros, datado do século 8, hoje belas ruínas que podem ser circundadas observando a vista do vale. Um ponto imperdível é o Quinta da Regaleira, palácio construído em 1900 por um excêntrico milionário brasileiro, Antonio Carvalho Monteiro. O palácio possui várias fontes, grutas secretas e uma Capela com passagem subterrânea. O proprietário, possivelmente, era muito místico, pois revela detalhes esotéricos e misteriosos ao longo da visita ao castelo. Agora chegou nossa vez, Portugal está a ponto de ser descoberto!

Imperdíveis:
Balada: Lux
Drink: Pavilhão Chinês
Passeio: Sintra
Compras: Bairro Alto e Rua do Norte
Restaurante: Eleven

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