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Edição #94

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Dadaísmo

ENTENDA MELHOR O NONSENSE DO MOVIMENTO DA VANGUARDA MODERNA QUE ESCANDALIZOU O CIRCUITO DAS ARTES NO COMEÇO DO SÉCULO 20!

Texto: Norioval Mello Jr.
Fotos: Reprodução

Nascido a partir da tensão criada pela Primeira Guerra Mundial na Europa, o movimento dadaísta definitivamente foi um divisor de águas na produção artística e nos valores sociais da época. Em meio a inovações no campo da mídia, como a imprensa ilustrada, a transmissão de rádio, o cinema comercial e a produção em série na indústria, o Dadaísmo (ou simplesmente Dada) se espalhou, simultaneamente, por várias cidades da Europa e dos Estados Unidos com máximas como “Dada é ironia”, ou “Dada é política”, e até mesmo “Dada é um pontapé por trás.”

Falando assim, parece conversa de louco, mas é essa mesma a idéia do movimento. Em Zurique, Berlim, Paris e Nova Iorque, o movimento ultra-passou as barreiras do estilo artístico e se tornou uma prática ideológica que atingiu todas as modalidades de produção visual das primeiras décadas do século 20: arte abstrata e figurativa, pintura, escultura, impressão, fotografia, colagem, fotomontagem, poesia, performance e arte aplicada. A idéia era questionar o que era aceito cegamente – como a guerra, por exemplo – e atacar todas as práticas e estruturas repressoras do período.

O movimento é claramente categorizado pela negação – da palavra, da linguagem e de tudo mais que parecesse estático e imutável. como se dizia na época, “Dada não quer nada…mas não quer nada de uma forma positiva.”

Explicar em palavras o movimento parece uma missão impossível. Por isso, o MoMA montou uma megaexposição sobre o assunto, que é o talk of the town atualmente em Nova Iorque. A cool visitou a exposição, e elegeu seus destaques. E se você não entender nada…está no caminho certo, você entendeu tudo!!

MARCEL DUCHAMP

Responsável pelo conceito de ready made (transporte de elementos da vida cotidiana para o campo das artes), Duchamp passou a incorporar material de uso comum às suas esculturas. Em vez de alterá-los de forma artística, ele os exibia prontos, como obras de arte.

Um exemplo célebre é ‘A Fonte’, na verdade um urinol comum, branco e esmaltado, comprado numa loja de construção. A idéia era ensaiar uma explicação psicanalítica, segundo os críticos de arte. Muitos apontam uma semelhança do urinol com as formas femininas, e explicam a obra como uma forma de retratar a dominação do homem sobre a mulher, já que o urinol sugere o membro masculino lançando excrementos sobre a forma feminina. outra obra que causou muita polêmica e o eternizou no circuito das artes é l.h.o.o.q. (sigla que, lida em francês, assemelha-se ao som da frase “Elle a chaud au cu”, que, traduzida para o português, significa “Ela tem fogo no rabo”). Na verdade, trata-se de uma reprodução do célebre quadro de leonardo Da vinci, a Monalisa, acres-cida de bigodes e barba.

OTTO DIX

Grande opositor da guerra, Dix fez grande uso de fotografias tiradas de soldados alemães que foram, severamente, desfigurados na Primeira Guerra Mundial. suas duas grandes obras-primas são Metrópole (1928) e Guerra de trincheiras (1932). temas como soldados alemães marchando para longe da guerra, casas destruídas, corpos aleijados são freqüentes na sua obra.

MAX ERNST

Autodidata, Ernst aprendeu a pintar sozinho enquanto era estudante de Filosofia e Psiquiatria na Universidade de Bonn, Alemanha.

Em 1914 Ernst veio a conhecer o surrealismo através de um grande pintor surrealista, Jean Arp, com quem manteve amizade pela vida inteira, e ao lado de quem fundou o cologne Dada group. suas exposições chegaram a ser fechadas pela polícia, sob a acusação de montar uma mostra obscena demais. Ernst acabou se mudando para Paris em 1922, onde veio a se juntar com o grupo surrealista.

MAN RAY

Um dos nomes mais importantes do Dadaísmo, foi responsável por inovações artísticas na fotografia, e ao lado do francês Marcel Duchamp, fundou o grupo dada nova-iorquino. A sua arte é chamada de raiografia, ou fotograma, técnica que cria imagens abstratas (obtidas sem o auxílio da câmara) mas com a exposição à luz de objetos previamente dispersos sobre o papel fotográfico. também criou na fotografia a solarização, pela qual inverte parcialmente os tons da fotografia.

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